18/05/2012 | Facebook eleva faixa de preço de oferta pública
O Facebook aumentou a faixa de preço das ações a serem negociadas em sua oferta pública inicial de ações, puxando a avaliação da empresa para nada menos que US$ 104 bilhões. A nova faixa, de US$ 34 a US$ 38 por ação, é mais limitada e elevada que a faixa de US$ 28 a US$ 35 fixada pela empresa no início do mês. A alteração indica um aumento da demanda do investidor, apesar do ceticismo de que o Facebook consiga crescer suficientemente rápido a ponto de justificar uma avaliação tão elevada.
"Essa é talvez uma das ações mais polarizadoras da memória recente", disse o analista Jed Williams, da BIA/Kelsey, de recomendações e análises na área de mídia.
O aumento do preço dá ao Facebook um valor de mercado entre US$ 93 bilhões e US$ 104 bilhões em sua estreia em Wall Street, marcada para sexta-feira.
O preço ajustado poderá captar até US$ 14,7 bilhões para a empresa, um adicional de US$ 1,1 bilhão em relação aos US$ 13,6 bilhões indicados por sua faixa de preço anterior, e um acréscimo em relação aos US$ 10 bilhões previstos no início do ano. Será o maior montante já levantado por uma empresa de internet.
O sentimento do investidor durante a última semana da turnê promocional do Facebook foi heterogêneo. Alguns investidores, por exemplo, manifestaram preocupação com a desaceleração do crescimento da divisão de anúncios da empresa e com sua estratégia para celulares.
Depois da reunião com investidores em Palo Alto, na Califórnia, realizada na sexta-feira passada, um investidor disse não ter certeza de que compraria o papel. "Eu simplesmente não estou seguro de que a empresa conseguirá alcançar a avaliação", disse ele.
Steve Weinstein, diretor-executivo da ITG Investment Research, disse que as ações do Facebook podem não ser um bom investimento. "A US$ 100 bilhões, muita coisa, na verdade, precisa correr bem para a empresa, a fim de gerar um bom retorno para os investidores no longo prazo", afirmou ele. "Neste momento, a empresa não está em condições de fazer isso." Mas o aumento da faixa de preço indica sólida demanda pelo papel, acrescentou.
A mudança do preço "representa as melhores estimativas da direção e as conversas que mantivemos com os subscritores após aproximadamente uma semana de comercialização", informou o Facebook, em uma emenda ao documento S-1 encaminhado à autoridade reguladora.
A rede social informou também que a aquisição, por US$ 1 bilhão, da Instagram, dona de um aplicativo de compartilhamento de fotos para aparelhos móveis, poderá enfrentar atrasos de ordem regulatória.
O "Financial Times" revelou na semana passada que a Federal Trade Commission (FTC) dos EUA tinha lançado uma investigação sobre a operação e pedido informações ao Google e ao Twitter. (Colaborou Mark Wembridge)
18/05/2012 | Chineses são candidatos a levar CSA
Um grupo siderúrgico chinês pode ser o mais cotado para adquirir o controle da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Brasil, de propriedade do grupo alemão ThyssenKrupp AG, avaliam fontes da indústria do aço e analistas do mercado ouvidos pelo Valor. Essa possibilidade foi apontada após o grupo alemão anunciar ontem, em comunicado, a decisão de colocar à venda sua usina instalada no Rio de Janeiro, alegando dificuldades com o aumento dos custos de produção no país. A usina laminadora do Alabama (EUA) também deve compor o pacote.
O presidente-executivo da multinacional, Heinrich Hiesinger, adiantou que a Thyssen pode oferecer a CSA para a própria Vale, sua parceira minoritária na empresa e a possíveis compradores na Ásia. A Vale, segundo apurou o Valor, não pretende vender sua fatia acionária de 26,81% na empresa. Na visão do mercado, dificilmente a mineradora vai se interessar pelos 73,19% do grupo alemão, pois siderurgia não é seu foco e esse setor vive um momento de baixos resultados mundialmente, com excesso de oferta de aço e crise na zona do euro.
Oficialmente, a Vale informou que não foi ainda comunicada da decisão do grupo alemão e não quis comentar o assunto.
Na análise de executivos da siderurgia e dos analistas do setor, o fato de a CSA ser sócia da Vale e ter um contrato de fornecimento de minério exclusivo com a mineradora até 2024 - ou seja, nos próximos doze anos - pode ser um complicador para a venda do controle da companhia. No mercado interno, a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) até se interessaria pelo negócio, pois tem minério de ferro, mas enfrenta a barreira da Vale, que supre a CSA. No caso da argentina Ternium, que comprou recentemente a Usiminas, a avaliação é que já gastou seu dinheiro na aquisição. A ArcelorMittal, com presença no país, está desinvestindo devido as dificuldades que vem enfrentando no mercado europeu e à sua dívida de quase € 25 bilhões.
Diante desse cenário, os chineses são apontados como potenciais compradores desse ativo.
Há algum tempo, as usinas da China tentam entrar no mercado brasileiro, sem sucesso. A Baosteel, maior siderúrgica chinesa, já tentou duas vezes instalar uma usina no país em parceria com a Vale, primeiramente no Maranhão e depois no Espírito Santo, mas fracassou. O grupo Wisco - Wuhan Iron and Steel Corporation, da província de Wuhan, negocia a construção de uma usina de aço em sociedade com a EBX, de Eike Batista, no Porto Açu, mas o projeto ainda não saiu do papel. Uma fábrica já pronta pode atrair o apetite da Wisco e da Baosteel.
A nova estratégia dos alemães, aprovada pelo conselho de administração durante apresentação das contas do primeiro semestre de seu exercício fiscal, encerrado em 31 de março, que reportou perdas de € 1,06 bilhão, é "examinar opções estratégicas em todas as direções" - não só para a CSA, mas também para a unidade americana. As duas fábricas, CSA e laminadora do Alabama, compõem a ThyssenKrupp Steel Americas. Isso envolveria "uma parceria ou venda" desses dois ativos, os quais vêm dando seguidos prejuízos para o grupo, segundo o comunicado divulgado ontem.
Essa divisão, em valores ajustados, apresentou prejuízo de € 516 milhões no resultado antes de juros e impostos (Ebit) e foi a única das sete unidades de negócios do grupo a apresentar perda.
O valor contabilizado das duas fábricas, segundo o presidente executivo do grupo alemão, é estimado em € 7 bilhões. Hiesinger disse que a revisão dos negócios se deve as mudanças que ocorreram nos parâmetros econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, "que mudaram em relação as nossas previsões iniciais". Segundo o executivo, "há razões claras que colocam agora essa estratégia de produzir placas de aço no Brasil a um custo reduzido para serem beneficiadas nos Estados Unidos e comercializadas com margens altas exposta a consideráveis riscos".
Heiesinger informou ainda que o atraso n as obras da CSA, que só entrou em operação em 2010, e só deve atingir 5 milhões de toneladas de placas programadas no primeiro trimestre de 2013, contribuiu para o grupo alemão ter perdas com depreciação de € 2,9 bilhões no último ano fiscal. A desaceleração na economia americana também frustou os alemães, que não contaram com prêmios previstos com o negócio.
O projeto do complexo siderúrgico da CSA, cuja produção de placas seriam beneficiadas nos Estados Unidos e na Alemanha foi o mais ambicioso do grupo ThyssenKrupp e seu maior investimento no mundo: custou € 5,2 bilhões. O projeto, iniciado em 2005, teve seu cronograma refeito quatro vezes, tendo sido em parte atropelado pela crise de 2008 que paralisou o mercado mundial de aço. Somente em março deste ano, a empresa chegou ao ritmo de produção de 4 milhões de toneladas de placas.
Ao Valor, Jorge Oliveira, presidente da CSA, disse recentemente que se tratava de "um investimento alto e de retorno lento". O complexo, em Santa Cruz, tem cinco mil empregados. Teve sérios problemas ambientais tendo que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com órgão do Rio para ter licença de pré-operação dos dois alto fornos. (Colaborou Eduardo Laguna, de São Paulo, e com agências internacionais)
18/05/2012 | Facebook levanta US$ 16 bilhões em IPO
SÃO PAULO - O Facebook confirmou hoje que os investidores aceitaram o teto de sua faixa de preço para as ações na oferta pública inicial, de US$ 38. O piso estava previsto em US$ 35. O papel estreia na Nasdaq amanhã.
Todas as 421,2 milhões de ações que a maior rede social do mundo pretendia vender foram compradas. Isso representa um movimento de US$ 16 bilhões, o maior da história dos Estados Unidos entre as empresas de tecnologia.
Agora, os interessados têm até 30 dias para demonstrarem ou não interesse pelo lote suplementar de 96,4 milhões de ações. Se a demanda for suficiente, o total movimentado pela oferta chegaria a US$ 18,41 bilhões, como já prevê o mercado.
Com a oferta, o valor de mercado da empresa de Mark Zuckerberg ficou em US$ 104 bilhões, o maior de uma estreante nas bolsas americanas. O presidente-executivo e do conselho de administração vai embolsar US$ 1,15 bilhão com a operação.
18/05/2012 | Mercado vive paradoxo em meio a fusões e aquisições
O setor de tecnologia da informação (TI) vive um paradoxo: embora apresente o maior número de fusões e aquisições no país, o mercado continua altamente pulverizado, com pouquíssimas companhias de grande porte. Para comparar, em áreas como varejo, petroquímica e bancos, o grande volume de transações nos últimos anos gerou uma forte concentração de mercado, com a formação de companhias bilionárias. Na área de TI, a Totvs representa um caso isolado de companhia nacional que resultou de um processo de fusões e aquisições e que hoje compete em pé de igualdade com gigantes internacionais.
De acordo com um estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC), o volume de fusões e aquisições em TI passou de 46 em 2008 para 79 em 2011. O setor, que respondia por 7% dessas operações no país em 2008, elevou a participação para 12% no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, o setor registrou 23 operações, 15% a mais que no mesmo período de 2011.
Em quatro anos, os processos de fusões e aquisições no país deram origem a apenas quatro companhias de TI de grande porte: Totvs, Tivit, Stefanini e Globalweb Corp. Essa contagem leva em consideração os critérios do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), que estabelece como grande porte a empresa com mais de 500 funcionários e receita superior a R$ 300 milhões ao ano. "O setor de TI é extremamente pulverizado no Brasil e no exterior. Esse é um dos motivos porque há um grande volume de transações, mas poucas empresas grandes ou gigantes", diz Alexandre Pierantoni, sócio da PwC.
De 23 operações feitas até março, 11 custaram em média R$ 5 milhões, frente à média no país de R$ 190 milhões
Sem detalhar números, Pierantoni diz que o valor médio das transações no setor é inferior à media do total de fusões e aquisições no país, de US$ 100 milhões (R$ 190 milhões). De acordo com a Ferrari Consultoria, das 23 operações registradas no primeiro trimestre, 11 tiveram valores entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões. "As companhias internacionais realizam as operações de maior porte. As nacionais adquirem empresas menores", afirma Roberto Ferrari, consultor da Ferrari Consultoria.
Ferrari diz que as maiores aquisições no país são feitas geralmente por grupos internacionais. Ele cita os casos da empresa de serviços de TI CPM Braxis, que vendeu 55% de participação para a francesa Capgemini em 2010, por R$ 517 milhões, e do BuscaPé, que vendeu 91% de participação para o grupo de mídia sul-africano Naspers, por US$ 342 milhões, em 2009.
Recentemente, um dos raros casos que deram origem a uma companhia brasileira bilionária foi o da Stefanini, voltada a serviços de TI. Entre 2010 e 2011, a companhia fez seis aquisições. Comprou as americanas Tech Team e CXI, a colombiana Informática & Tecnología, e as brasileiras Vanguard, Sunrising Consulting e Orbitall. Para este ano, Marcos Stefanini, fundador e presidente da companhia, prevê um aumento na receita de 35%, para R$ 1,67 bilhão. O grupo planeja investir R$ 300 milhões até 2014 em aquisições de pequenas e médias empresas. "As opções existentes no país são companhias de menor porte. As grandes já foram vendidas", observa o executivo.
Além da oferta escassa de oportunidades relacionadas a grandes empresas, um fator que dificulta o surgimento de novas "Totvs" é o alto nível de especialização do setor, afirma Ricardo Reis, líder em fusões e aquisições da Ernst & Young. O setor é dividido em áreas de equipamentos, software e serviços. Mas cada uma delas é formada por segmentos bastante especializados. As exceções são a produção de computadores e a de semicondutores - áreas nas quais há enorme influência de companhias internacionais, com pouco espaço para o surgimento de novos competidores brasileiros.
"O mercado de TI é mais intelectual, há poucas commodities. Por isso é tão segmentado", diz Cristina Boner, presidente do conselho da Globalweb - resultado da fusão entre duas divisões do grupo TBA com a Benner Sistemas. Voltada a software e serviços com acesso por internet (na nuvem), a Globalweb planeja uma série de aquisições para ganhar corpo e elevar sua receita de R$ 300 milhões em 2011 para R$ 500 milhões em 2014. Neste ano, o orçamento para compras é de R$ 50 milhões. No alvo estão pequenas e médias empresas.
Outro aspecto citado por analistas para explicar a rara formação de empresas de grande porte é o alto risco do negócio de tecnologia. É impossível saber se uma inovação fará sucesso ou não. As empresas de TI inovadoras necessitam de investimentos desde seu nascimento, sem uma certeza sobre o retorno do capital investido. A escassez de capital de risco dificulta a expansão de muitas delas.
Pierantoni, da PwC, ressalva que nem todas as empresas de TI precisam ser gigantes para ter sucesso. "É muito comum encontrar pequenas empresas de TI que dominam um segmento específico de software ou de serviço e vivem bem por muitos anos", diz. Um exemplo é a Ci&T, voltada à terceirização de serviços de tecnologia, que atua em 27 países e prevê para este ano um crescimento de 35% em relação à receita alcançada no ano passado, de R$ 135 milhões.
Na avaliação do analista, o mercado de TI é pulverizado e deve continuar com essa característica. A exceção seria a área de serviços, que já passou por um processo de concentração no mercado internacional em anos recentes. A Linx Solutions está entre as companhias que pretendem ganhar robustez por meio de aquisições. Desde 2008, a companhia fez nove aquisições. A mais recente foi a Microvix, em janeiro. "O objetivo é continuar realizando aquisições para manter a competitividade", afirma Alberto Menache, diretor-presidente da Linx.
No foco da Linx estão empresas de pequeno e médio portes, com atuação regional, que tenham uma carteira de clientes ou serviços complementares ao seu portfólio atual, diz Menache. O executivo afirma que o setor de serviços é um dos mais maduros na área de TI. O mercado é controlado por companhias de grande porte e multinacionais, o que dificulta a tarefa de ganhar participação. "As empresas tendem a ser fiéis às marcas. Para fazer a marca ganhar importância, é preciso ter robustez e ganhar a confiança do mercado", afirma Menache.
18/05/2012 | Ajinomoto busca aquisições no mercado internacional
Apesar de já ter incursionado por mais de 100 mercados em todo o mundo, a fabricante de temperos Ajinomoto Co. está intensificando suas buscas por mais aquisições em mercados emergentes e desenvolvidos.
"Queremos crescer mais rápido", disse Masatoshi Ito, presidente da empresa japonesa que produz glutamato monossódico e aspartame, em entrevista ao The Wall Street Journal. As aquisições "acelerarão [a meta de] expandir nossa gama de produtos", disse o executivo.
O presidente Masatoshi Ito quer aumentar a receita fora do Japão
A empresa, dona no Brasil dos temperos Sazón e Sabor a Mi e dos sucos Fit, também pretende reiniciar as operações de uma fábrica em Mianmar no início do próximo ano, à medida que o país asiático se abre a um regime democrático depois de quase cinco décadas de ditadura militar.
Para identificar alvos de aquisição e facilitar as negociações, a empresa formou no ano passado uma equipe de menos de dez pessoas subordinadas a Ito.
As principais áreas no plano de metas da equipe continuam sendo aquelas em que a empresa tem forte presença: os temperos e a biotecnologia, disse Ito, de 64 anos. "Em vez de competir para adquirir uma empresa que já está no mercado, queremos selecionar a que melhor se encaixe na nossa estratégia".
A Ajinomoto — palavra japonesa que significa "essência do sabor" —, não faz segredo de seus planos de aquisição. A empresa disse que pode gastar até 300 bilhões de ienes (US$ 3,73 bilhões) em fusões e aquisições até o fim do ano fiscal que se encerra em março de 2014. E esse caixa para aquisições vai crescer, graças à recente decisão da Ajinomoto de vender a fabricante japonesa de bebidas não alcoólicas Calpis Co. por cerca de 100 bilhões de ienes.
Com a ampla aceitação de seus temperos por consumidores em mercados como a Tailândia, Indonésia e Brasil, a empresa já gera mais da metade do seu lucro operacional no exterior e tem presença em mais de 130 países e territórios. As vendas fora do Japão representaram 32% da receita total da Ajinomoto para o ano fiscal passado, maior do que as de suas rivais japonesas. No longo prazo, a Ajinomoto pretende aumentar a proporção das vendas no exterior para mais de 50%. Diante do envelhecimento da população no mercado doméstico, muitas empresas japonesas estão em busca de mercados em crescimento.
A Ajinomoto quer expandir sua presença em novos mercados da África, Oriente Médio e Ásia. No Brasil, a empresa anunciou este ano um investimento de R$ 47 milhões para expandir sua fábrica em Limeira, SP. Segundo a empresa, a ampliação da planta aumentará em quase 40% a produção do tempero Sazón, seu carro-chefe, ou um acréscimo de 6.700 toneladas do produto por ano.
A empresa estabeleceu um escritório em Mianmar em 1996, mas as operações fabris no país foram suspensas quatro anos depois, devido a uma proibição governamental à importação de matérias-primas. Embora a empresa ainda tenha uma fábrica em Mianmar para embalar GMS produzido na Tailândia, o equipamento terá que ser reinstalado, disse Ito.
"Acreditamos que Mianmar tem um enorme potencial", disse ele, observando que, com uma população de cerca de 60 milhões de habitantes, Mianmar é quase tão grande quanto a Tailândia.
Embora a Ajinomoto esteja buscando aquisições de empresas que tenham marcas e canais de distribuição fortes em seus respectivos mercados, Ito disse que a empresa também continuará sua tradição de décadas de construir mercados a partir do zero. "Nosso estilo básico é fazer incursões para chegar à vida das pessoas comuns", disse o executivo, mostrando um pequeno pacote de tempero que a empresa lançou na Nigéria em 2010.
"É preciso pelo menos uma década [para ganhar popularidade] em todos os mercados", disse ele, e as fusões e aquisições podem encurtar esse intervalo de tempo.
Ito ajudou a Ajinomoto a orquestrar a aquisição de US$ 239 milhões, em 2006, de Amoy Food, empresa de alimentos de Hong Kong que pertencia à Danone SA. Ele também liderou a aquisição, em 2007, da americana New Season Foods pela Knorr Foods Co., subsidiária da Ajinomoto. Em 2009, a Ajinomoto gastou US$ 210 milhões para adquirir os direitos no Japão do tratamento de osteoporose Actonel, da americana Procter & Gamble Co.
Mas Ito disse que a atual estratégia de fusões e aquisições da empresa é diferente da do passado. "A maioria dos casos anteriores veio até nós", disse. "Agora, nós é que vamos abordar" as empresas.
18/05/2012 | Warren Buffett continua dando mostras de ser um devoto amante dos jornais.
Warren Buffett, que foi entregador de jornais em sua adolescência, diz que não há instituição mais importante para a comunidade que o jornal local.
Sua holding, a Berkshire Hathaway, fechou acordo na quinta-feira para comprar 63 jornais regionais da americana Media General, praticamente todas as publicações da empresa exceto pela filial de Tampa, na Flórida, por US$ 142 milhões.
E a Berkshire também concedeu um empréstimo de US$ 400 milhões e uma linha de crédito de US$ 45 milhões para a empresa de comunicação, recebendo 19,9% das ações ordinárias da Media General como garantia. A Berkshire também vai indicar um membro do conselho. O empréstimo tem juro de 10,5%. A ação da Media General subiu 50% depois de o negócio ser divulgado, para US$ 4,70.
"Nos vilarejos e cidades em que o senso de comunidade é forte, não há instituição mais importante que o jornal local", afirmou Buffett num comunicado. "Os inúmeros locais atendidos pelos jornais que estamos comprando seguem esse modelo firmemente e estamos entusiasmados que eles conseguiram encontrar uma casa permanente na Berkshire Hathaway.
A declaração se encaixa numa pista que Buffett deu no início do mês quando perguntado sobre jornais. Ele disse que poderia comprar alguns "onde existir um senso de comunidade forte".
Embora Buffett seja acionista da Washington Post Co. e dono do "Buffalo News", e fale com frequência de suas proezas como entregador de jornais, até 2009 ele afirmava que o cenário do setor era sombrio. "Jamais compraríamos a maioria dos jornais americanos a qualquer preço", disse ele naquele ano em resposta a uma pergunta sobre se ele estudaria investir em jornais. "Existe a possibilidade de eles simplesmente gerarem prejuízos intermináveis."
Três anos depois, ele comprou o jornal de sua terra natal, o "Omaha World-Herald" e está adquirindo do Goldman Sachs a dívida da falida empresa de mídia Lee Enterprises, adquirindo também 4% da Lee. Agora ele junta a Media General a sua brigada de publicações impressas.
Provavelmente esses negócios não são a grande arma dele, mas talvez pelo menos ajudem as manchadas folhas noticiosas dos EUA a sobreviver.
07/04/2012 | Laudo do Rothschild avalia ação da Redecard entre R$ 34,18 e R$ 37,59
SÃO PAULO - O laudo de avaliação da Redecard para oferta pública de fechamento de capital e saída do Novo Mercado chegou a um valor intermediário de R$ 35,88 por ação da empresa, com base numa análise de fluxo de caixa descontado. O estudo foi preparado pelo Rothschild. A faixa de preço vai de R$ 34,18 a R$ 37,59.
O banco foi escolhido em assembleia de acionistas sem o voto do controlador, o banco Itaú. Os valores do laudo se comparam aos R$ 35,00 oferecidos pelo Itaú aos minoritários da empresa.
O objetivo do banco é retirar a Redecard da BM&FBovespa. Contudo, caso não consiga, vai tirá-la do Novo Mercado. Para obter sucesso no cancelamento de registro de companhia aberta da administradora de cartões, o Itaú precisa que, no mínimo, acionistas detentores de 67% dos papéis em circulação aceitem sua proposta. Já para a saída do segmento especial da bolsa, não há exigência de aceitação mínima.
Embora a oferta seja de R$ 35,00 por ação, os acionistas receberão ainda R$ 1,10 por papel, referente a um dividendo que não será descontado da oferta. Portanto, na prática, o valor total que os investidores podem receber é de R$ 36,10 por ação.
A oferta do Itaú pela Redecard foi lançada em 7 de fevereiro. A Redecard chegou à BM&FBovespa em julho de 2007. Ontem, as ações da empresa encerraram o pregão a R$ 35,99.
19/02/2012 | Valor pago por consórcios supera fluxo de caixa atual de aeroportos
O ágio elevado oferecido no leilão de concessão dos aeroportos deve impor aos consórcios vencedores um novo desafio: como financiar o desembolso da outorga de R$ 24,5 bilhões ao governo. Embora possa ser dividida durante o prazo do contrato, os valores superam a geração de caixa anual obtida hoje pelos aeroportos.
É certo que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será a principal fonte de recursos para os investimentos nas concessões. Mas as linhas do banco não englobam a outorga, que apenas no caso de Guarulhos consumirá pouco mais de R$ 800 milhões por ano, enquanto a estimativa de geração de caixa do aeroporto hoje gira em torno de R$ 500 milhões.
O consórcio Invepar, que venceu a disputa para operar o maior aeroporto do país, teve assessoria financeira do banco francês BNP Paribas no leilão. O Standard Bank foi o assessor da Aeroportos Brasil (Triunfo) e o Citibank atuou ao lado da Inframérica (Engevix).
O BNP e o Standard confirmaram oficialmente a participação, mas não deram detalhes de como será realizada a modelagem financeira da operação. O BNP informou apenas que o financiamento será feito diretamente (sem repasse) pelo BNDES e que, dependendo do prazo para o desembolso dos recursos, poderá entrar com um empréstimo-ponte, em conjunto com outras instituições financeiras.
Como o BNDES certamente será a primeira porta na qual os consórcios irão bater, a expectativa agora fica por conta da avaliação do banco sobre as propostas vencedoras. Uma possível, embora pouco provável, recusa da instituição em financiar o projeto inviabiliza o lance do consórcio vencedor.
Antes de uma sinalização positiva do BNDES será praticamente impossível para as empresas tentarem qualquer outra forma de financiamento no mercado. Resta, portanto, a opção do aporte direto de capital dos sócios.
Tanto o ágio oferecido como os nomes dos vencedores do leilão foram recebidos com grande surpresa por banqueiros que prestaram assessoria financeira para os consórcios que foram derrotados. Dos três aeroportos, apenas o de Viracopos apresentou valores mais próximos ao esperado antes do leilão, segundo um executivo. Embora o maior ágio tenha sido registrado em Brasília, foi em Guarulhos que o ágio chamou mais a atenção.
Já havia no mercado a expectativa de que os projetos rodassem no negativo, pelo menos nos primeiros anos, mas com o custo da outorga os questionamentos sobre a viabilidade das operações aumentaram. Os bancos aguardam com ansiedade ter acesso aos modelos usados pelos consórcios, assim que forem consultados sobre pedidos de financiamentos, o que, para um executivo ouvido pela reportagem, deve acontecer em breve.
Além das linhas do BNDES, o governo concedeu isenção de imposto de renda aos investidores que adquirirem debêntures emitidas pelas concessionárias dos aeroportos. Mas essa opção dificilmente será usada no curto prazo, pelo menos enquanto houver dúvidas sobre a viabilidade da operação.
20/01/2012 | Sonda compra lojas de duas redes em SP
A rede Sonda Supermercados adquiriu os pontos de duas pequenas cadeias de varejo de São Paulo, Economax e Sim Supermercados (antiga rede Simonica). Foram compradas três lojas de cada empresa, sendo que deste total de seis unidades, quatro serão transformadas em lojas com a bandeira Cobal, varejista controlada pelo grupo Sonda e voltada para as classes C e D.
O acordo com os controladores das lojas Sim foi fechado na segunda quinzena de dezembro e nesta quarta-feira, o Sonda assinou o contrato de compra dos pontos da Economax, de propriedade do grupo Ricoy, varejista que opera com diferentes bandeiras de lojas em São Paulo. O grupo Sonda confirma a informação, mas não dá detalhes a respeito do valor da aquisição.
"Nós não queremos marcas, isso nós temos. O que nos interessa são os pontos", diz José Barral, presidente do Sonda. As bandeiras Economax e Sim vão desaparecer.
As negociações são importantes para o projeto de crescimento do Sonda em 2012. Este grupo planeja abrir, no mínimo, 10 lojas de supermercados neste ano, sendo que a metade podem ser de unidades da Cobal. Há 21 lojas da bandeira Sonda na capital paulista, região metropolitana e ABC paulista.
Adquirida em 2008, a Cobal soma três pontos de venda e registra expansão mais tímida. Em 2011, o grupo não inaugurou novas lojas das duas cadeias de varejo e focou a operação em uma série de ajustes internos - como revisão de despesas e custos fixos, por exemplo, e manutenção de investimentos na área de marketing da cadeia, para fortalecer a marca em São Paulo.
A varejista contratou Barral em 2010 com o intuito de profissionalizar o comando da empresa, fundada pela família de mesmo nome. Barral, que estava antes no Assaí, manteve o quadro de diretores da empresa, formado por integrantes da família, e reorganizou o organograma. Nessa reorganização está incluída a futura contratação de dois vice-presidentes - provavelmente um da área comercial e outro operacional - que devem ficar abaixo do presidente da rede.
Existe ainda uma possibilidade de novas aquisições de pontos em São Paulo ainda neste ano, na avaliação da rede. "Nós olhamos o que nem sempre todo mundo está olhando. Aí aparecem bons negócios", diz Barral, que nega qualquer possibilidade de venda do Sonda Supermercados.
Em 2011, a companhia registrou faturamento bruto de cerca de R$ 2,1 bilhões, com expansão de 16,5% nas vendas em relação ao ano anterior. Ao se descontar a inflação, a taxa de crescimento real (considerando-se o mesmo número de lojas) atinge 10%, acima da expansão média desse mercado de varejo alimentar em 2011.
A expansão foi registrada com base no mesmo volume de pontos em operação em 2010, já que a companhia não fez novas aberturas de lojas em 2011. Para 2012, a varejista espera registrar alta de 12% nas vendas brutas, abaixo do índice do ano anterior por conta da base alta de comparação em 2011.
A rede Sonda Supermercados começou a se formar na década de 60, quando a família Sonda passou a vender produtos alimentícios, tecidos e implementos agrícolas para agricultores da região Sul do Brasil. No final da mesma década, a família mudou-se de Erval Grande (RS) para a cidade de Erechim (RS) e em 1970, instalou-se em São Paulo, no bairro do Brás, montando um pequeno comércio atacadista.
A rede inaugurou o primeiro supermercado em 1974, em Erechim e uma segunda unidade em 1980, em São Paulo. Também fazem parte do grupo a Sonda Participações (que administra o banco de imóveis do grupo e sua participação nos shoppings Anália Franco e Boavista) e duas fazendas.
20/01/2012 | Maior minoritário da Confab avalia nova oferta
Victor Adler, individualmente o maior acionista minoritário da Confab, ainda estuda o que fará diante da retomada da oferta para fechamento de capital pela controladora, dessa vez com um preço 12,5% superior. "Sou acionista da empresa há 18 ou 19 anos. Pela minha vontade, continuaria por mais 20 anos", disse ao Valor.
Originalmente, ele não está alinhado ao grupo de investidores que negociou com a companhia, detentor de 32,6% das ações em circulação. Adler tem 9,7% das preferenciais e do capital negociado em bolsa.
Na tentativa anterior, quando a Confab ofereceu R$ 5,20 por ação, Adler foi um dos principais opositores. Conforme apurou o Valor, enquanto os demais fundos (agora organizados) aceitariam negociar em valor próximos da proposta, o investidor gostaria de patamares mais elevados para entregar seus papéis. "Fiquei fora por um mês. Cheguei ontem e estou tomando pé da situação. Ainda vou ver com meus advogados o que pode ser feito", limitou a falar Adler, sobre o futuro.
Segundo ele, ao elevar o preço, a empresa reconheceu que o valor anterior era muito baixo. "Não dá para continuar acionista de uma companhia que não quer mais sócios. Mas isso não significa que eu vou entregar de graça minhas ações", disse. Adler preferiu não comentar a negociação anterior e o preço que consideraria justo. "Aquela oferta acabou. O cenário agora é diferente. A companhia mostrou que realmente tem interesse em fechar capital. Tudo será avaliado, inclusive o custo de oportunidade." Também evitou falar sobre seus próximos passos.
A Confab, atualmente, está avaliada na BM&FBovespa em R$ 2 bilhões (antes do anúncio da nova oferta). Em 1993, em valores corrigidos pela inflação, valia R$ 312 milhões, segundo a base de dados da consultoria Economática. Caso tenha mantido sua participação estática nesse intervalo, o patrimônio de Adler aplicado na empresa subiu de pouco menos de R$ 18 milhões para cerca de R$ 114 milhões. Com a nova proposta, o valor que Adler teria a receber subiu de R$ 123,5 milhões, da oferta anterior, para R$ 139 milhões.
Pela legislação, Adler conseguiria praticamente sozinho pedir uma nova assembleia para aprovar a solicitação de um novo laudo para a oferta. O grupo de investidores que negociou a retomada da oferta já concordou em não solicitar uma outra avaliação.
Porém, Adler terá de agregar mais investidores caso pretenda barrar o cancelamento de registro de empresa aberta da Confab. As regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exigem dois terços de adesão para o fechamento de capital - e o investidor tem cerca de 10% dos papéis.
Tradicional investidor do mercado de ações brasileiros, Adler disse que conhece muitos dos acionistas que estão organizados e que ontem já teria conversado "com dois ou três deles". Ele destacou que em outras ocasiões muitos já votaram nele para conselheiro da companhia, indicando que não há rivalidade. Contudo, em eleição recente, Adler perdeu o pleito para Peter Wilson, indicado pelo grupo de acionistas que solicitou a retomada da operação.
Apesar de os conflitos na Confab estarem, aparentemente, caminhando para uma solução, a Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) deve encaminhar consulta à CVM sobre a possibilidade de desistência de uma oferta, como a empresa fez na proposta anterior.
O objetivo da associação é esclarecer se a companhia poderia descumprir uma decisão assemblear - pois uma assembleia já havia aprovado a realização de um novo laudo - e retirar a proposta antes da conclusão do estudo solicitado.
Edison Garcia, presidente da Amec, disse que o fato de os acionistas terem entrado num acordo com a companhia retira a pressão do caso concreto sobre essa consulta. Mas uma definição é importante em caso de uma situação semelhante acontecer no futuro.
09/01/2012 | Fusões batem recorde no setor da educação
O movimento de fusões e aquisições no setor de ensino privado bateu recorde no ano passado. Só as operações - cerca de 20 - realizadas por quatro empresas de capital aberto movimentaram R$ 2,4 bilhões. No total, ocorreram 27 transações, mas não há dados precisos sobre as que envolveram instituições menores e de capital fechado. Nunca houve um valor tão alto no país, pelo menos desde 2007, quando os grandes grupos de ensino começaram a abrir seu capital e passaram a tornar públicas suas contas. Em 2012, o setor deve continuar registrando negócios, porque existe ainda espaço para consolidação no ensino fundamental e médio, afirma Luís Motta, sócio da KPMG.
O valor recorde de transações foi puxado pela mineira Kroton, que comprou por R$ 1,3 bilhão a Universidade do Norte do Paraná (Unopar), líder no segmento de ensino a distância. Essa foi a maior operação já fechada no setor de educação no país. Outro grande negócio foi a compra da Uniban, de São Paulo, pela Anhanguera, por R$ 510 milhões. A Anhanguera é o maior grupo de ensino do país, com 292 mil alunos. A Kroton, vice-líder, tem 264 mil. O mercado nacional de educação superior tem 5,3 milhões de alunos, sendo 75% em faculdades particulares. A movimentação no setor também foi motivada pela retomada dos investimentos da britânica Pearson e da brasileira Abril Educação.
O recorde anual em número de transações foi em 2008, com 53 fusões e aquisições, quando várias empresas abriram capital na bolsa e foram às compras. Mas naquele ano os negócios envolveram volumes financeiros menores.
Outra característica do mercado brasileiro de educação é a expansão do ensino técnico. A procura por esses cursos aumentou mais de 50% nos últimos cinco anos. Entre 2005 e 2010, a participação das matrículas em escolas técnicas sobre o total verificado no ensino médio regular passou de 8,2% para 13,6%, atingindo 1,14 milhão de alunos. Em 2011, esse percentual deve ter subido para algo entre 15% e 18%, pela estimativa do titular da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec-MEC), Eliezer Pacheco. A expansão das matrículas se dá tanto pela ampliação da rede pública quanto nas escolas particulares.
09/01/2012 | Fundo CVC compra divisão da Resource America
A CVC Capital Partners, a empresa de compra de participações dona da Fórmula 1, formalizou a compra da divisão de investimentos com empréstimos alavancados da Resource America, na tentativa de se expandir nos Estados Unidos. A CVC, cujo maior escritório fica em Londres, vai associar sua divisão de títulos Cordatus com a Apidos Capital Management da Resource e pagará à gestora de investimentos US$ 25 milhões como parte do negócio, informaram a CVC e a Resource em comunicados separados divulgados ontem.
A Resource, sediada na Filadélfia, vai manter uma participação de 33% na nova empresa, que vai administrar US$ 7,5 bilhões em ativos por meio de 21 veículos nos Estados Unidos e na Europa, disseram as empresas. "Ambas as equipes valorizam as vantagens significativas de poderem oferecer aos patrocinadores e empresas acesso a um universo mais amplo de capital vinculado à dívida mobiliária para sustentar seus negócios e iniciativas", disse ontem Marc Boughton, que deu início à CVC Cordatus e vai comandar a nova empresa, em entrevista por telefone.
A nova companhia se chamará CVC Credit Partners (CCP). A CVC está seguindo os passos das empresas de compras de participações como o Blackstone Group ao se expandir em administração de fundos de crédito para diversificar a receita constituída pelas taxas num momento em de queda das compras alavancadas tradicionais. O Blackstone, uma das maiores empresas mundiais de aquisições de participações, se tornou a terceira maior administradora dos títulos conhecidos como Obrigações de Empréstimos Colateralizados (CLOs) depois de comprar a Harbourmaster Capital Management, sediada em Dublin, em outubro do ano passado. Os CLOs embalam empréstimos alavancados em bônus de riscos variados e geram um fluxo constante de juros e tarifas junto a tomadores de grau especulativo.
O Carlyle, do Apollo Carlyle Group, sediado em Washington, está em conversações com vistas à compra da divisão da Highland Capital Management, que gerencia US$ 3 bilhões em CLOs na Europa, disseram no mês passado duas pessoas com conhecimento do assunto. A Apollo Global Management, a empresa sediada em Nova York inaugurada por Leon Black, formalizou em dezembro a compra da Stone Tower Capital, acrescentando US$ 17 bilhões em ativos de crédito e transformando os mercados de capitais em sua maior divisão. Na Europa, o 3i Group, maior empresa de compras de participações alavancadas com ações negociadas em bolsa do Reino Unido, disse estar tentando duplicar sua divisão de crédito, de US$ 6 bilhões. "Foi uma ótima maneira de ampliar nossa plataforma e torná-la mais relevante para grandes investidores internacionais, e de possibilitar que a Resource America mantivesse uma participação na empresa", disse Christopher Allen, que será o diretor operacional da CCP, em entrevista por telefone.
As empresas anunciaram U S$ 123,5 bilhões em compras alavancadas mundiais em 2011, o que significa uma queda de 14% em relação ao ano anterior, segundo dados reunidos pela Bloomberg. As aquisições de 2011 representaram uma queda de 78% em relação a 2007, antes da crise financeira.
A CVC, que gere um fundo de compra de participações europeu de € 10,8 bilhões (US$ 14 bilhões), abriu a Cordatus em 2006 para investir em mercados de capitais de títulos com classificação inferior ao grau de investimento na Europa. A Cordatus administra € 1,5 bilhão em ativos, segundo seu site. A Apidos foi formada em 2005 e se concentra em títulos corporativos americanos de grau especulativo.
09/01/2012 | Donos da Ri Happy negociam venda da rede
A Ri Happy, maior rede de varejo de brinquedos do país, está em negociações com o fundo de investimentos Carlyle para a venda das operações. O fundador e presidente da rede, Ricardo Sayon, decidiu se desfazer do negócio e por isso a companhia passou a buscar no mercado potenciais interessados. A rede de brinquedos contratou para assessorá-la o escritório Miguel Neto Advogados.
As conversas entre as partes avançaram no fim do ano passado, mas pelo menos neste mês a operação ainda não deve ser fechada porque há questões que permanecem em aberto - inclusive o preço final do negócio, segundo uma fonte próxima à varejista. Com operação em 18 Estados e 110 lojas no país, a Ri Happy faturou R$ 600 milhões em 2010, com crescimento de 11% em relação a 2009, segundo informações prestadas ao mercado por Sayon na época.
Segundo uma fonte próxima ao comando da rede, tanto Ricardo Sayon quanto Roberto Saba, amigo e sócio de Sayon, passaram a discutir internamente a possibilidade de sair do negócio e vender o controle da operação. O bom momento do varejo brasileiro - os ativos se valorizaram no último ano - seria uma justificativa para essa movimentação agora. Ainda existiriam questões pessoais, ligadas à decisão de Sayon. Procurado, o empresário e o fundo americano Carlyle não se manifestaram. A Ri Happy esclarece que "não tem informações" a respeito do assunto.
Nos últimos meses começaram a surgir informações no mercado a respeito da possibilidade de venda da rede a empresas no exterior. Isso porque não existiriam compradores do setor de varejo de brinquedos com caixa para adquirir a rede varejista no país. As negociações com outras companhias fora do país não teriam evoluído. Uma das cadeias que chegaram a ter conversas iniciais com a Ri Happy foi a americana Toys"R"Us.
Além da Ri Happy, a PB Kids e a Preçolândia estão entre as maiores vendedoras de brinquedos no Brasil, ao lado da Lojas Americanas e das redes de hipermercado como Extra e Carrefour.
A Ri Happy é vista pelo mercado como a rede com modelo de operação mais próximo das grandes varejistas americanas do setor, focadas na prestação de serviços e na experimentação dos produtos. Nos últimos quatro anos, a companhia abriu 30 lojas no Brasil, uma média de oito pontos por ano.
Se essa operação de venda se concretizar, o Carlyle avança em sua estratégia de ampliar a atuação no varejo especializado brasileiro, com alto potencial de valorização nos próximos anos. Neste momento, há uma série de informações no mercado sobre o interesse de diferentes fundos estrangeiros em fechar parcerias com varejistas locais.
13/11/2011 | A proteção aos acionistas minoritários: os casos Confab e Oi
Discute-se muito sobre a proteção aos acionistas minoritários. A legislação que regula o fechamento de capital das companhias traz proteção adequada, mas o mesmo não ocorre com operações de incorporação e fusão. Veja o caso de Confab e Brasil Telecom.
A Tenaris, controladora da Confab, decidiu cancelar o registro de companhia aberta de Confab em agosto último. O acionista controlador ofereceu R$ 5,20 por ação. Apesar de o preço oferecido ser acima da cotação de mercado, minoritários descontentes solicitaram a convocação de assembleia especial para deliberar sobre a realização de nova avaliação da companhia. Essa assembleia, realizada em 18 de outubro, aprovou a elaboração de novo parecer. A controladora, diante dessas novas condições, desistiu de cancelar o registro da Confab.
Esse fato é emblemático de como a legislação que trata do cancelamento de registro protege os direitos dos minoritários.
Vejo pelo menos três pontos que dão garantias aos minoritários:
O artigo 4º, parágrafo 4º, da lei societária estipula que o preço ofertado deve ser justo, contemplando, de forma isolada ou combinada, o patrimônio líquido contábil, o patrimônio líquido avaliado a preço de mercado, o fluxo de caixa descontado, a comparação por múltiplos, a cotação das ações ou outro critério aceito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O artigo 4º A garante aos minoritários detentores de pelo menos 10% das ações em circulação no mercado requerer aos administradores a convocação de assembleia especial de acionistas não controladores para deliberar sobre a realização de nova avaliação da companhia. Foi o que decidiram os sócios minoritários de Confab.
Por fim, o artigo 16, inciso II, da Instrução CVM exige que o cancelamento do registro somente ocorra caso os acionistas titulares de mais de 2/3 das ações em circulação aceitem a oferta pública ou concordem expressamente com o cancelamento do registro. Assim, o quórum necessário para o fechamento de capital é elevado, fazendo com que o controlador tenha que oferecer preço justo aos acionistas minoritário sob pena de não conseguir cancelar o registro.
Situação inversa tem ocorrido com operações de fusão, incorporação e incorporação de ações envolvendo sociedades controladoras e suas controladas. Após algumas operações que causaram atritos entre minoritários e controladores, a CVM editou o parecer de orientação 35. A entidade reguladora recomenda que os administradores adotem um dos seguintes procedimentos: (i) a constituição de um comitê especial independente ou (ii) que a operação seja condicionada à aprovação da maioria dos acionistas não controladores, inclusive dos acionistas preferencialistas, em assembleia. A Oi propôs uma restruturação societária de suas companhias atendendo ao parecer 35.
As empresas, entre elas a Oi, têm preferido a primeira opção, embora a segunda seja mais democrática, pois inclui os minoritários na discussão.
Assim os acionistas de Brasil Telecom devem compulsoriamente aceitar a relação de troca proposta pela administração e corroborada pelo comitê independente.
Esse assunto foi tratado em dois post anteriores "Feitiço do Tempo - a restruturação da Oi. Fique atento à TNLP3", de 4 de agosto, e "A operação da Oi foi justa com os minoritários da Brasil Telecom?", de 13 de setembro. Como discutido, embora a relação de troca baseada no valor de mercado pareça justa, ela não foi. A política de dividendos da Brasil Telecom tem sido parcimoniosa vis-à-vis seus pares no mercado. Como a indústria de telecomunicações é uma indústria madura, um dos principais atrativos da tese de investimento é a distribuição de dividendos. Uma política de dividendos mais tímida inibe a apreciação da cotação. Assim, as ações de Brasil Telecom estavam mais deprimidas que as das demais companhias do grupo como Telemar e Telemar Norte Leste.
A dicotomia entre controladores e minoritários é falsa. Operações legais, mas questionadas pelos minoritários, geram ganho aos controladores no curto prazo. Contudo prejudicam o acesso ao mercado das companhias envolvidas em futuras ofertas. E, nesse caso, ambos - minoritários e controladores - sairão prejudicados.
André Rocha é analista certificado pela Apimec e atua há 20 anos como especialista na avaliação de companhias listadas na bolsa
As opiniões contidas neste espaço refletem a visão do analista sobre as companhias, e não a do Valor Econômico. O Valor e o autor não se responsabilizam por prejuízos decorrentes do uso dessas informações (Veja os termos de uso completos em www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista)
07/11/2011 | Kirin agora tem 100% da Schincariol
Depois de enfrentar três meses de negociação e briga nos tribunais, a Kirin concluiu ontem a compra de 100% da Schincariol. A multinacional japonesa pagou R$ 2,35 bilhões para ter 49,55% da Schincariol que estava nas mãos da Jadangil, a empresa dos minoritários. O negócio foi assinado no fim da tarde de ontem em Itu (SP), sede da Schincariol, e acompanhado por telefone pelo comando da Kirin em Tóquio.
Participaram da reunião os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol Júnior, acionistas da Jadangil, os advogados dos escritórios Mattos Filho e TozziniFreire, que representam a Aleadri (dos ex-acionistas majoritários Alexandre e Adriano Schincariol) e a Kirin, respectivamente. O escritório que acompanhava a Jadangil, Teixeira Martins Advogados, foi afastado na última hora e trocado por Cláudio Zalaf Advogados Associados, de Limeira (SP).
Entraram no acordo alguns imóveis não operacionais do grupo, carros e um avião, cuja soma é inferior a R$ 50 milhões. Há um mês, antes do julgamento da liminar que impedia a Kirin de assumir a Schincariol, a oferta para os minoritários estava em R$ 2,6 bilhões. Mas os acionistas da Jadangil decidiram fazer novas exigências e a negociação minguou. Depois de terem perdido a liminar, os minoritários fecharam um preço 10% inferior pela sua participação.
"Eles perceberam que seriam engolidos pelos japoneses caso continuassem no negócio", diz uma fonte que acompanhou as negociações. Outra fonte diz que, na retomada das conversas, após o julgamento da liminar, em 11 de outubro, os minoritários tentaram voltar ao patamar de R$ 2,6 bilhões. "Disseram que, se fosse por aquele valor, fechariam na hora", disse a fonte.
Gilberto Schincariol, que era vice-presidente comercial, assinou ontem a carta de renúncia. A sua posição será temporariamente acumulada pelo primo Adriano Schincariol, que continua na presidência da cervejaria até janeiro. A Kirin ainda não decidiu se vai entregar o comando da Schincariol a um executivo da casa ou se vai contratar alguém no mercado.
Adquirir 100% da Schincariol sempre foi a vontade dos japoneses. Com o mercado de cerveja mais fraco nas economias mais maduras, os players globais voltam os olhos para os mercados em desenvolvimento.
No início de agosto, a Kirin pagou R$ 3,95 bilhões para comprar a Aleadri, controladora da Schincariol. Mas a múlti foi impedida de assumir a empresa devido à liminar obtida pela Jadangil na 1ª Vara Cível de Itu. À época, os minoritários alegavam que tinham o direito de preferência para compras o controle, mas nunca apresentaram garantias para exercê-lo. No momento em que comprou a Aleadri, a Kirin sondou a Jadangil e ofereceu R$ 2 bilhões. Com a liminar, a proposta atingiu o pico de R$ 2,6 bilhões, mas recuou para R$ 2,35 bilhões no preço final.
"Na época da primeira proposta, a Kirin vivia uma situação de estresse, havia muita pressão pelo fato de ser uma companhia aberta", diz Pedro Seraphim, sócio de TozziniFreire na área de fusões e aquisições, que conduziu a negociação com a Jadangil. "Eles [japoneses] entraram na operação sabendo que poderiam enfrentar esse tipo de dificuldade [na negociação com os primos], mas as coisas se complicaram depois que os minoritários conseguiram a liminar", diz Seraphim.
Hoje acontece em Itu uma assembleia geral extraordinária da Schincariol, para definir os novos administradores das holdings Schincariol Participações e AAJDG Participações. No organograma do Grupo Schincariol, essas holdings estão abaixo da Aleadri e da Jadangil e controlam todas as 17 empresas do grupo (fábricas, empresas de logística, de transportes, de propaganda, de franquias, entre outras). As holdings eram administradas por Adriano e Alexandre (ex-Aleadri), e os primos deles, José Augusto e Gilberto (ex-Jadangil).
Agora, a Kirin vai empossar como diretores o advogado Pedro Seraphim, o executivo Ryosuke Okahashi, vice-presidente da Tozan (fabricante de saquê e outros produtos japoneses, que pertence à Kirin) e mais dois executivos japoneses, que ainda estão obtendo o visto de permanência no país.
26/10/2011 | Flora, dos donos da JBS, estuda abertura de capital
A venda das operações de limpeza da Hypermarcas para a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, anunciada ontem, pelo valor de R$ 140 milhões, é crucial para a estratégia de longo prazo das duas empresas. Para a Flora, o fechamento da compra dos negócios de Assim e MatInset é um atalho no projeto da companhia, que faz parte da holding J&F Participações Financeiras, controladora da JBS. A empresa planeja fazer uma oferta pública de ações, informou a diretoria, e para isso, ela precisa ganhar musculatura.
A compra dos ativos da Hypermarcas tem peso fundamental nesse plano - não necessariamente pelo faturamento que os negócios trazem à Flora (cerca de R$ 120 milhões) mas pelo potencial de expansão das marcas. "[A oferta] vai ser uma consequência. À medida que a gente dá mais coerência para empresa, que nossos pilares de gestão estão sendo construídos, vamos nos capacitar para ter o mercado como sócio", afirmou ontem Eduardo Luz, presidente da Flora, há um mês no cargo.
"É um caminho que possivelmente vamos seguir, mas que vai acontecer naturalmente". A Flora adquiriu as operações da Assim (produtos de limpeza para casas e roupas), Sim (detergentes em pó e amaciantes), Gato (graxa líquida para sapatos), Fluss e Sani Fleur (desodorizadores sanitários) e Mat Inset (inseticidas).
Já para a Hypermarcas, com a operação de venda finalizada, a companhia se volta agora para a negociação de outras duas operações, a Etti e a Assolan - que devem render entre R$ 250 milhões a R$ 300 milhões ao caixa do grupo. O Valor apurou que a Flora não deve fechar a compra de Assolan, num acordo posterior. A Química Amparo, dona da marca Ypê, tem o maior interesse no ativo agora.
Com essas negociações, a Hypermarcas reduz a sua alavancagem - a relação entre dívida líquida e Ebitda se situa em 3,4 vezes, segundo cálculos das analistas Irma Sgarz e Rachel Rodrigues, do Goldman Sachs - e se desfaz de uma operação que não lhe interessava mais. É ainda uma sinalização ao mercado de que tem evoluído o projeto do grupo de integrar os vários negócios adquiridos nos últimos três anos - algo que analistas do setor consideram crucial para o grupo.
"Acreditamos que a integração dos ativos [da Hypermarcas] será o principal motor para as ações", informou em relatório Irma Sgarz, analista do Goldman Sachs. A Hypermarcas quer vender as suas áreas de alimentos e limpeza para se tornar uma companhia com atuação nas áreas de medicamentos e produtos para beleza.
Com o negócio fechado ontem, após uma negociação mais intensa de cerca de um mês, fica mais claro o projeto da Flora na área de consumo. A companhia, que adquiriu os negócios com capital próprio, quer ser uma das líderes do mercado de produtos de limpeza e cosméticos. Segundo Luz, a empresa faturava pouco menos de R$ 500 milhões com duas marcas no início do ano e a soma deve chegar a R$ 1,2 bilhão ao final do ano, sem incluir aquisições, informa ele. "Acreditamos que vai dar para duplicar a área de limpeza em valor num período de um a três anos".
O grupo continua a avaliar novas aquisições, mas faz uma ressalva: quer consolidar as operações dentro do prazo mais curto possível para absorver sinergias. Sem citar nomes, Eduardo Luz diz que a Flora "quer evitar ao máximo o que aconteceu com outras empresas que ficaram muito tempo com estruturas e sistemas duplicados".
"Temos uma força tarefa que vai integrar a operação em no máximo por três meses". Não é algo fácil. O processo de união de estruturas de empresas na área de consumo leva até dois anos. Na Hypermarcas, por exemplo, concorrente da Flora na área de beleza, a fase um (que inclui corte de despesas e aumento de produtividade) dura 12 meses, em média.
Segundo a Flora, o que está sendo feito agora é a conclusão de cálculos internos para definir uma malha logística e fiscal eficiente. Algumas questões começam a ser definidas. O Mat Inset, por exemplo, é líder de mercado na região Sul e por isso o produto deve ser fabricado lá. A Flora adquiriu a unidade fabril da Hypermarcas em Itajaí (SC), com 60 funcionários, onde é produzido o sabão em pó da marcas Assim e Sim. Foi a única fábrica comprada da Hypermarcas e ela deve ser a base de produção do sabão em pó e líquido para a Flora.
08/09/2011 | Os intangiveis estão de volta ao debate
Se ativos intangíveis - patentes, por exemplo - dominam grande parte da economia moderna, por que continuam, em grande parte, fora dos balanços das maiores companhias americanas?
Algumas vendas de patentes alçadas às manchetes reacenderam o interesse pela questão. Entre elas: o leilão, com arremate por US$ 4,5 bilhões, de patentes de tecnologia sem fio da Nortel, em 1º de julho, e os US$ 12,5 bilhões pagos pelo Google em 15 de agosto pela Motorola Mobility Holdings e suas 24,5 mil patentes e pedidos de patentes pendentes, além de outros ativos.
Agora, a agência australiana que estabelece normas contábeis em nome de um grupo mundial do qual faz parte a Financial Accounting Standards Board americana está colocando o tema na agenda da contabilidade mundial. A entidade realizou, recentemente, uma pesquisa com empresas, auditorias e reguladores sobre a contabilização de intangíveis e se mudanças devem ser feitas.
Nos EUA, ativos intangíveis, como marcas, relacionamento com clientes, patentes e outras informações tecnológicas, são contabilizados de uma forma se criadas nas próprias empresas - e de outra maneira, caso adquiridas.
Os ativos intangíveis de uma empresa, quando desenvolvidos por ela própria, têm seu valor contabilizado por pouco mais do que as taxas legais e de registro, porque pesquisas são deduzidas como despesas, e não capitalizadas. Ativos adquiridos, por outro lado, como as patentes que o Google obterá com a compra da Motorola, são contabilizados pelo "valor justo".
Os críticos dizem que a diferença faz com que seja difícil realizar comparações entre empresas e muitas vezes oculta os ativos mais importantes.
O tratamento diferenciado implica que uma patente desenvolvida por uma empresa e depois vendida para outra pode ser originalmente avaliada por um valor praticamente nulo, e então, quase da noite para o dia, passar a valer milhões - ou até mesmo bilhões - de dólares, diz Esther Mills, presidente da Accounting Policy Plus, uma firma de consultoria de Nova York especializada em questões contábeis complexas.
Mills está entre os que sustentam que intangíveis criados internamente devem constar do balanço pelo seu valor de mercado ou por um montante que reflita mais plenamente os custos do esforço de pesquisa e desenvolvimento que tenha resultado na criação de um ativo intangível.
A diferença contábil pode resultar em comportamento distorcido, adverte Abraham Briloff, um professor emérito de contabilidade no Baruch College, já que torna tentador, para uma empresa, comprar propriedade intelectual em vez de realizar pesquisas.
O valor de patentes compradas é subtraído dos lucros ao longo de sua vida útil, mas em setores como telecomunicações, nos quais as empresas são avaliadas com base em seu Ebitda (lucro antes da dedução de juros, impostos, depreciação e amortização), esses custos tendem a ser largamente ignorados por analistas e investidores.
Alguns peritos em contabilidade contra-argumentam que levar patentes e outros intangíveis para o balanço patrimonial criaria riscos de abusos. "É uma boa maneira de manipular os lucros", diz Robert Willens, diretor de serviços tributários e contábeis da consultoria que leva seu nome. Por exemplo, empresas poderiam inflar seus lucros capitalizando tanto os custos diretos como indiretos do desenvolvimento de intangíveis, evitando que virem despesa na demonstração de resultados,diz ele.
Não é fácil determinar o valor correto de um intangível e pode ser particularmente difícil em situações como a do Google. Além de qualquer valor que as patentes da Motorola Mobility poderão proporcionar em termos de fluxo de caixa futuro, o Google também está contando com as patentes como uma defesa contra ações judiciais de concorrentes. Isso é particularmente subjetivo e de difícil avaliação, segundo especialistas.
A questão tornou-se mais importante à medida que a economia americana fica cada vez mais dominada pelos intangíveis. De acordo com a Ocean Tomo, especialista na avaliação de ativos com sede em Chicago, 80% do valor de mercado das empresas componentes do S&P 500 em 2010 podem ser atribuídos a ativos intangíveis, contra 68% em 1995 e 32% em 1985.
Desde 1999, ágios têm sido sistematicamente pagos por ativos intangíveis, embora sejam mais baixos hoje do que no auge da bolha de tecnologia em 1999 e 2000, segundo análise de mais de 6 mil fusões e aquisições no setor de tecnologia e telecomunicações realizadas para a Reuters pela Capital IQ, uma monitoradora de dados.
O exame adicional de apenas 848 operações que atribuíram um valor mensurável a intangíveis adquiridos mostrou que o prêmio pago por bens intangíveis tem variado ao longo do tempo, mas atingiu um pico recente, em 2010, quando os compradores pagaram em média 15 vezes o valor dos ativos intangíveis das empresas-alvo.
Um estudo realizado por Carol Corrado, da associação de pesquisas da The Conference Board Research Association, e pelo professor Charles Hulten, da Universidade de Maryland, publicado em 2010, mostrou que em meados dos anos 1990 as empresas começaram a investir mais em ativos intangíveis do que em ativos tangíveis, como prédios e máquinas. De lá para cá, a diferença só cresceu. Uma razão para o descompasso entre a economia e a contabilidade pode ser a falta de interesse dos executivos em corrigir a situação.
Robert Herz, ex-presidente do Financial Accounting Standards Board (Fasb), dos EUA, disse que, em 2006 e 2007, quando seu grupo e o International Accounting Standards Board (Iasb) realizaram consultas a investidores, gestores e auditores sobre o que eles deveriam focar, a contabilização de intangíveis, de modo geral, não foi considerada tão relevante como uma série de outros temas.
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